A flor da honestidade

por Wesley W. Cavalheiro*

Certa vez eu estava ministrando um treinamento de manobra de navio. O treinando, efetuando a manobra indicada, virou-se para mim e perguntou “Está honesto assim?”. Fora a primeira vez que ouvi o uso da palavra ‘honesto’ neste contexto. Ele não perguntou se estava boa ou correta. Perguntou se estava honesta. Chamou-me a atenção e, desde então, reavaliei seu significado.

Descobri o que seja ‘honestar’, um verbo transitivo relativo, ou seja, é uma ação que para existir necessita de um sujeito, um objeto, e algo ligando os dois. Honestar é honrar, ornar, embelezar, portar-se com decência, revestir-se de caráter probo. Assim, ninguém é honesto sozinho e sem que tenha algo que ligue sua ação a alguém. A honestidade admite gradações e não há como ser honesto isoladamente, em si mesmo. Nossa honestidade existe na medida em que honestamos dada circunstância.

Sócrates disse que “Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade”.

Quanto estamos dispostos a pagar para obter um sonho? Quanto estamos dispostos a pagar para nos livrar de um problema? As respostas a estas perguntas indicam nossa disposição em honestar uma situação, ou seja, revesti-la de um adorno, dar-lhe uma nobreza, incorporar-lhe o divino. Isto é ser honesto.

O interessante é que ao valorizarmos uma situação com a honestidade, os resultados são maiores e melhores do que os obtidos com a desonestidade. É o que disse Sócrates.

A honestidade funciona como adubo e fertilizante para o cultivo da prosperidade. Ser rico é ter acúmulo de bens. Ser próspero é como vivemos. Aí reside o grande engano e engodo: confundir riqueza com prosperidade. A ilusão do desonesto é satisfazer-se com as sensações efêmeras, confundindo-as com a realidade.

Conta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe da região norte do país, estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma “disputa” entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. Ao chegar em casa e relatar o fato a jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:

– Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta ideia insensata da cabeça; eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.

E a filha respondeu: – Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas joias e com as mais determinadas intenções. Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio:

Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses me trouxer a mais bela flor será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de “cultivar” algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc. O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu: – Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

A princesa honestou com seu caráter simples e verdadeiro o concurso promovido pelo príncipe.

Medite: 1) Quanto estou disposto a pagar para obter algo ou para me livrar de uma situação? 2) O que vale mais, ser rico ou ser próspero? 3) Tenho bem claro que quando a honestidade está em jogo, quem aposta nela será sempre vencedor?

Palavras de sabedoria: Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.

Sabedoria da palavra:…pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens.” (Bíblia, RA, 2 Coríntios 8.21)

 

Viva compaixão

(*) Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Organizacional, com Certificação Internacional pelo GCC – Global Coaching Community (Alemanha), ECA – European Coaching Association (Alemanha/ Brasil), ICI – International Association of Coaching Institutes, e Metaforum Internacional – Akademie Für Kompetenzentwicklung (Itália/Alemanha/Brasil). Contatos: <www.Lumen2You.net>

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