Doar, prova de amor!

por Wesley W. Cavalheiro*

O quanto é suficiente? O quanto é o bastante para que nossas consciências se aplaquem e se sintam confortáveis e apaziguadas?

Algumas religiões instituem que dar, doar, pagar – seja lá como chamem – 10% dos rendimentos seja o honesto/ correto. Elas estão se fundamentando na bíblia. Se o salário é de R$ 845,39, então dou R$ 84,53, certo? Não, não é R$ 84,54. A regra das aproximações decimais não se aplica neste caso. E esses 10% seriam em relação ao bruto ou ao líquido? Gorjetas e ofertas também entram?

Agir pela regra nos aprisiona em uma armadilha sutil: a escravidão do dever e da obrigação. Entretanto, o próprio Cristo advertiu a respeito do dízimo dos centavos e deixar de lado a justiça, a misericórdia, e a fé (Evangelho de Mateus 23.23). Em outro episódio, elogiou uma viúva que doou tudo o que tinha – apenas duas moedas (Evangelho de Marcos 12.41-44). Em suma, aqueles que se limitam a agir pela regra do suficiente quebram a regra superior do amor.

Madre Teresa de Calcutá sintetizou este espírito ao dizer que “o valor da doação está em doar até doer”, “não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque”. Ela – e o Cristo – tirou o foco do bem doado e o colocou no apego que temos ao mesmo. Sua lógica estava em uma descoberta: “Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor”. Para ela, cada leproso era Jesus disfarçado em sua forma mais estranha. Certa vez, um milionário doador, visitando as instalações de caridade, falou-lhe que não daria um banho em um leproso nem por um milhão de dólares. Ao que ela respondeu “O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não, só por amor se pode dar banho a um leproso”.

Viver plena e abundantemente é um paradoxo. A reconciliação só é possível com o perdão (de perda). A fé necessita da falta de horizonte. A satisfação e o contentamento só são possíveis com carências. Logo, para receber temos que doar. E amar implica em sentir dor. São lados de uma mesma moeda. Um não existe sem o outro. A expansão do ser humano em suas diversas áreas e dimensões requer um esvaziamento, um desapego. Aí está o paradoxo: quanto mais nos esvaziamos e nos desapegamos, mais nos enchemos e expandimos.

Doar, quando movido por uma atitude de amor, é dar vazão à porção divina que nos compõe como seres criados à Sua imagem e semelhança. Amor não é algo que se sente. É algo que se faz!

Medite: 1) Qual o meu grau de sensibilidade em relação às necessidades que se apresentam ao meu redor? 2) Ao doar sou movido pela obrigação ou pela compaixão? 3) O quanto estou comprometido(a) comigo mesmo(a) com meu desenvolvimento pessoal, nas diversas áreas da minha vida, e para isso estou disposto(a) a viver o paradoxo de dar e receber, amar e doer?

Palavras de sabedoria: O valor da doação está em doar até doer.

Sabedoria da palavra: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” (Bíblia, RA, 1 João 3.16)

 

Viva compaixão

(*) Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Organizacional, com Certificação Internacional pelo GCC – Global Coaching Community (Alemanha), ECA – European Coaching Association (Alemanha/ Brasil), ICI – International Association of Coaching Institutes, e Metaforum Internacional – Akademie Für Kompetenzentwicklung (Itália/Alemanha/Brasil). Contatos: <www.Lumen2You.net>

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