Sinal dos tempos

por Wesley Cavalheiro

Talvez a evidência mais marcante do sinal dos tempos seja a ‘bestialização’ do ser humano. O mundo sempre teve seus tiranos, pessoas que fizeram o que parecia ser inconcebível. Em todas as esferas, seja de âmbito mundial, regional, ou local, o planeta conviveu com indivíduos que primaram pela maldade em sua plenitude. Entretanto, estamos vivendo dias nos quais não vemos tão somente indivíduos, mas toda uma raça se tornando perniciosa. Há algo sério em curso, algo que não só não se consegue perceber a extensão da gravidade, como também é incentivada, promovida, e tida como ‘bem’. Atualmente, não é uma questão de que existem indivíduos maus, mas de que toda nossa espécie está se tornando má. Estamos nos tornando raça que desenvolve e preza por características e valores maus.

Paulo, o apóstolo, escreveu que “nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder[1]. Em suma, o sinal dos tempos era o aparecimento de pessoas com uma quase total incapacidade de amar qualquer outra pessoa além de si mesmas. Pessoas que fazem de seus prazeres seus deuses. Que, para prevalecerem, não poupam agressões, sejam elas físicas, retóricas ou emocionais. Se por um lado em Cristo as pessoas são transformadas de glória em glória[2], ou seja, aperfeiçoadas à Sua imagem e semelhança, por outro, quando entregues ao mal, moldam-se a si mesmas a semelhança de Satanás. E muitas vezes conservam ‘cara e jeito’ de indivíduos bons e espirituais e em defesa da fé.

Jesus, falando sobre o mesmo tempo, ou seja, os últimos dias, disse que “muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos[3]. Jesus prossegue: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), … nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais[4]. Os demônios já não são invisíveis: estão em todos os lugares, estruturados em ossos, revestidos de carne e pele, caminhando pelas ruas, dentro dos transportes públicos e automóveis, nos escritórios, nos locais de lazer, e, não raro, nas igrejas. Propalando fé, equilíbrio, sucesso, bem estar, superação, harmonia, justiça, merecimento, felicidade, vitória, etc. Estão sempre voltados para si mesmos, primando pelo que lhe trás conforto e bem estar, a prosperar seu próprio império, empenhados por fazer prevalecer suas próprias convicções, e fazendo discípulos. Profanam o lugar mais santo que pode existir: sua própria a alma – Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? … o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado[5], disse Paulo, o apóstolo. Ocupam–na com a autoindulgência destronando o Espírito de Deus que mantém viva a presença do divino. O espírito do anticristo se expande de tal maneira que aquilo que se entendia como torto, injusto e supersticioso passa a ser visto como direito, justo e motivo de fé.

A humanidade, ao matar a afetividade, a dignidade,  o respeito ao próximo, as ações de gentileza e de educação primárias, alimenta diabos que se expandem exponencialmente, uma vez que o alimento destes é o seu próprio mal. O Diabo tem fome de morte e com uma sociedade cada vez mais semelhante a ele, o futuro da humanidade é sombrio. Vive-se, global e localmente, em razão de divisões e disputas de toda natureza, como bens, recursos, espaço, ideias, sentimentos, etc. Não se admite para o opositor ou concorrente nada menos que sua aniquilação total.

O trágico destes nossos dias é que o ser humano perde o que lhe resta de “imagem e semelhança de Deus” e, a cada dia, vai se tornando mais parecido com Satanás. Não se precisa ir ao inferno para conhecer o Diabo, basta olhar ao redor: o Diabo é o que divide e Satanás o que se opõe. Engana-se quem pensa que estas coisas são referencias a pessoas distantes ou estranhas. Digo isto primeiramente a mim mesmo e, depois, aos que me são próximos. Ficar como o Diabo está se tornando ‘normal’.

Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra? – Jesus[6]

Permeando a ‘bestialização’ do ser humano está a banalização da fé. Esta, a cada dia ou se torna ou uma crença religiosa, ou apenas um poder mágico para a realização de desejos, proteção, e poder – uma apólice de seguro contra ‘males’ e cartão de crédito para os bens desta vida. A fé que se propaga ou é a fé ritualista, doutrinária, comportamental, ou é a fé mística que crê em poderes espirituais para as guerras temporais e materialistas.

“… a fé como relação com Deus, como meio de agradá-Lo, como sustento do espírito na existência, como fidelidade, como poder que atua pelo amor, como constrangimento de amor no coração que cresce em devoção, como conforto e proteção [sem magia], como confiança no cuidado do Pai, como poder que brota do intimo para ser no mundo, como expressão da consciência de Deus em nós; e como olhar existencial que nos conduz a perseverarmos e mesmo nos gloriarmos nas tribulações; e mais: que nos deixa antever a glória de Deus por vir a ser revelada plenamente em nossas vidas — sim, tal e tais perspectivas da fé estão praticamente mortas …”[7]

Com o desaparecimento desta, foram-se junto a fé como propulsão para perdoar, para não vingar, para esperar na justiça de Deus a seu tempo, como fonte de alegria na esperança da eternidade, como conforto para as fatalidades inexplicáveis da existência.

Vivemos o paradoxo do ‘paganismo cristão’, com o poder transformador do Evangelho relegado a empregado de caprichos egoístas. Talvez este seja o mais contundente sinal do fim dos tempos (e, por que não, a raiz dos demais sinais?): a ‘bestialização’ do ser humano com a banalização da fé.

Procuro, busco e estimulo os que me cercam a também procurarem e buscarem por graça, compaixão, misericórdia, gentileza, respeito, arrependimento, perdão, contentamento, singeleza, dentro de mim. Não encontrando, que nos voltemos para Deus e clamemos por misericórdia a fim de não sermos intoxicados pela fumaça do inferno.

Medite: 1) Quais ‘boas coisas’ tem permeado minha alma? 2) A quem, na verdade, estas ‘boas coisas’ estão voltadas: a atender às minhas crenças e desejos ou ao bem de quem me está próximo? 3) Como lido com a ‘bestialização’ da sociedade?

Palavras de sabedoria: “Procuremos por amor, perdão, graça, misericórdia, compaixão, reverência, gentileza, bondade, alegria simples, e também pela fé que opera pelo amor dentro de nossos corações e busquemos tais coisas, e, não as achando enraizadas e encravadas em nós, nos voltemos para os céus e peçamos misericórdia a Deus, a fim de que sejamos tragados pelo bafo do inferno.”

Sabedoria da palavra:sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?… o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado. (Bíblia, RA, 1 Coríntios 3.16-17).

Viva compaixão

Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Corporativo, com Certificação Internacional pelo GCC – Global Coaching Community (Alemanha), ECA – European Coaching Association (Alemanha/ Brasil), ICI – International Association of Coaching Institutes, e Metaforum Internacional – Akademie Für Kompetenzentwicklung (Itália/Alemanha/Brasil). Contatos: <www.Lumen4You.net>


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[1]Bíblia, RA, 2Timóteo 3.1-7
[2]Bíblia, RA, II Coríntios 3.18
[3]Bíblia, RA, Mateus 24.10-13
[4]Bíblia, RA, Mateus 24.15-21
[5]Bíblia, RA, 1 Coríntios 3.16,17
[6]Bíblia, RA, Lucas 18.8
[7] Caio Fábio D’Araújo Filho em “Místicos materialistas e saduceus pós-modernos!”, publicado em http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=06280

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