Discernindo os sinais

por Wesley Cavalheiro

Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?” (Jesus, o Cristo – Bíblia, RA, Mateus 16.3)

Atualmente, o que Jesus chamou de “sinais” é chamado de “indicadores”. Jesus nos diz que existem dois tipos de sinais / indicadores / eventos: os mais óbvios e os não tão óbvios e que a diferença entre eles não está em características intrínsecas dos mesmos, mas na competência da pessoa em discerni-los. No contexto, discernir é mais do que ver e observar, pois também inclui analisar e concluir com a associação a causas e desdobramentos. Especialmente os desdobramentos.

As dificuldades para ‘não discernir’ são de várias ordens. As mais comuns são a desatenção, crenças, falta de sensibilidade e carência de competências comportamentais ou técnicas. Este rol de dificuldades nos conduz a outra categoria de sinais: os intrínsecos à pessoa ou ao sistema organizacional. Fatores internos condicionam a percepção de fatores extrínsecos.

Fatores internos são aquelas interiores ao sistema de tomada de decisão. Se tivermos que tomar uma decisão pessoal, o interno diz respeito a nós mesmos. Se tomarmos uma decisão que alcança a família, o interno diz respeito à família. Se a decisão influencia a organização, o interno diz respeito, portanto, à organização. Se o alcance da decisão é o governo, o interno, logo, é o que acontece no interior da jurisdição do governo.

Os sinais internos sinalizam pontos fortes e os pontos por serem aperfeiçoados – os nossos e os das organizações. Consistem em uma existência ou uma falta de determinada capacitação, de uma característica de temperamento, ou outra característica qualquer que propicie estar preparado (que significa os pontos fortes) ou que ressalte estar despreparados (ou seja, onde estão os pontos a desenvolver) para a concretização dos nossos sonhos e objetivos e diante das oportunidades e das ameaças dos fatos e acontecimentos.

Os pontos fortes também servem de apoio para compensação ou superação dos pontos a desenvolver. As pessoas dão sinais. Sinais de perseverança, de cansaço, de ânimo, de desânimo, de vontade, de falta de vontade, de disposição, de estafa, de satisfação, de carência, e assim por diante. Algumas vezes não discernem os próprios sinais físicos, mentais, ou emocionais, e, por isso, se descuidam das ações apropriadas. As famílias também dão sinais: de tendências à harmonia ou desarmonia, de saúde ou de enfermidade, de suficiência ou insuficiência, de prosperidade ou falência. As organizações, por sua vez, também têm seus sinais internos: série de faturamentos, série de despesas, série de não conformidades de produtos e serviços, ambientes, capacidade tecnológica, grau de satisfação de colaboradores, capital intelectual, etc.

Desenvolver a capacidade de discernimento propicia uma interação apropriada com o ambiente, ou seja, uma interação com o que está externo ao sistema, e, portanto, que são exteriores ao sistema de tomada de decisão. Se tivermos que tomar uma decisão pessoal, o externo diz respeito a tudo que nos cerca. Se tomarmos uma decisão que alcança a família, o externo diz respeito aos fatores que estão fora do ambiente familiar. Se a decisão influencia a organização, o externo diz respeito ao mercado, à sociedade, à legislação, etc. Se o alcance da decisão é o governo, o externo é o que acontece fora da jurisdição do governo. Em suma, os fatores externos dizem respeito ao ambiente em que nós e as organizações estamos inseridos.

O ambiente está constantemente sinalizando algo: sejam oportunidades, sejam ameaças aos sonhos, visões ou projetos. Economia, cultura, educação, religião, estilo de vida, segurança, mercado, forças políticas e militares, ciência e tecnologia, constituem áreas básicas de observação e análise por parte dos que buscam cumprir o papel que lhes é dado a exercer nesta vida, com maestria e excelência. Os noticiários estão repletos de “sinais” nas estrelinhas de suas reportagens, notícias, colunas e espaços de comentários e crônicas. Sinais que indicam tendências de movimentos, os quais, por sua vez, nos indicam ações a serem tomadas, seja de correção ou modificação de algo que já estamos empreendendo, ou mesmo se estamos empreendendo algo novo – uma inovação.

De modo geral, o comum é que pessoas e organizações ajam e se moldem em função do que ocorre no ambiente externo. A grande questão é que a maioria age de modo reativo, movidas por um “constrangimento inconsciente” e, assim, se adaptam a um cenário já estabelecido. O que diferencia pessoas e organizações eficientes das eficazes e efetivas é que estas últimas agem antes que um novo cenário se estabilize. Agem ainda na configuração do cenário. As pessoas e organizações que se diferenciam positivamente agem bem antes, contribuindo para configurar o cenário. Assim, raramente são surpreendidas. Mesmo ocorrendo surpresas, estão preparadas.

Certa vez, efetuando um trabalho na Ilha da Trindade (ilha oceânica à 1200Km da costa do Espírito Santo), li uma frase inspiradora: “Sorte é a conjunção da oportunidade com estar preparado”. Não existe azar. O que ocorre é que simplesmente não estávamos preparados para a oportunidade. Similarmente, muito do nosso conformismo expresso como “é a vontade de Deus” ou “que azar”, ou ainda “se não deu certo é porque ainda não acabou”, na verdade, é o resultado de não termos discernido os sinais e, assim, não termos nos preparado para os acontecimentos.

Medite: 1) Quais fatores internos eu tenho utilizado para direcionar minha vida, minha família, minha organização? Quais os meus pontos fortes e quais os meus pontos a melhorar, na minha família, na minha organização? 2) sou – e a minha organização – levado pelos acontecimentos ou me antecipo a eles e, assim, previno-me e aproveito oportunidades? 3) como minha organização pode aproveitar os acontecimentos em favor da sua missão?

Palavras de sabedoria: “Sorte é a conjunção da oportunidade com estar preparado.”

Sabedoria da palavra:Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?” (Jesus, o Cristo – Bíblia, RA, Mateus 16.3)

 

Viva compaixão

Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Corporativo, com Certificação Internacional e Treinador Comportamental formado pelo Instituto de Formação de Treinadores (www.ift.net.br). ‘Seguir’ e contatos: <www.Lumen4You.net>

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