Mojo – Reputação (2)

por Wesley Cavalheiro

Por que podemos estar no escuro acerca da nossa reputação?

A conexão entre a nossa reputação e o nosso Mojo (“o espírito positivo, a partir do que estamos fazendo agora, que começa de dentro e irradia para o exterior”). deve ser intuitiva. Acima de tudo, o que as pessoas pensam sobre nós afeta como nos sentimos conosco mesmos. Se as pessoas têm boas opiniões sobre nós e nós sabemos disto, nosso estado emocional fica ‘para cima’. E se irradiarmos este ‘espírito positivo’ de volta para as pessoas, est é a essência do Mojo.

A transparência do que as pessoas pensam a nosso respeito pode não ser a mesma de quando as pessoas tem uma opinião ruim. Uma opinião negativa normalmente não é expressa ou compartilhada (‘se você não pode falar algo de bom, não diga nada’). Então, nós frequentemente não estamos cientes do que as pessoas realmente pensam a nosso respeito e, portanto, desconhecedores das muitas maneiras que a nossa reputação está sendo formada através da desinformação ou má interpretação.

Ao formarem uma opinião a nosso respeito, as pessoas, normalmente, trazem a sua própria referência para a interpretação das nossas ações. Se fazemos algo que as afeta de modo negativo, mesmo sendo apropriado, bem intencionado, ou para um bem maior, o que geralmente ocorre no exercício da liderança, as opiniões delas a nosso respeito terão um colorido negativo.

O impacto das nossas ações também pode ser distorcido em função do que as pessoas envolvidas tiverem ouvido de terceiros a nosso respeito (também chamado de Efeito Halo[1]). É um filtro através do qual elas interpretam as nossas ações, o que nem sempre é ruim e até pode vir a nosso favor.

Estas nuances da dinâmica interpessoal – muitas vezes recheadas de ‘pré’ conceitos das pessoas – ajudam a moldar a nossa reputação. Tomada em doses pequenas, o impacto é limitado. Mas se permitirmos que se acumulem através do tempo sem qualquer tipo de controle, seja por ignorância ou negligência, elas, inevitavelmente, se tornarão uma ‘realidade’ com a qual teremos que lidar.

É neste ponto que temos que lidar com a pergunta fatal: podemos formar ou mudar a nossa reputação? A resposta rápida é sim! Mas não é tão fácil e demanda tempo.

A primeira coisa que temos que saber é que a nossa reputação é, raramente, e talvez nunca, formada por eventos únicos. No caso de eventos catastróficos, as pessoas podem ser extremamente perdoadoras. As pessoas notam uma ‘grande lambança’, mas não deixarão um incidente único rotular. Paradoxalmente, as pessoas podem ser menos generosas após um evento único triunfante. Se, no início de algo, seja carreira ou novo trabalho, as pessoas tendem a creditar o sucesso a ‘coisa de iniciante’.

Repita depois de mim

As reputações são formadas por uma sequência de ações que se assemelham umas às outras. Quando as pessoas veem um padrão de semelhança entre as ações, aí é que elas começam a formar nossa reputação. Tanto as reputações positivas quanto as negativas são formadas de modo despojado e incremental.

Ao não efetuar o acompanhamento dos nossos comportamentos repetitivos, não vemos os padrões que os outros veem. Estes padrões são o molde da nossa reputação, mesmo que nos sejam despercebidos. Algumas pessoas rechaçam esta assertiva, mas quando foi a última vez em que você conduziu a sua própria pesquisa de comportamento e, literalmente, manteve o acompanhamento de seu ‘desempenho’ repetido, tanto bons quanto ruins? Poucas pessoas fazem este tipo de coisa. Em geral, as pessoas estão muito ocupadas se movendo para frente, lidando com desafios imediatos, sem tempo para olhar para trás e identificar os padrões que são tão óbvios para os outros.

Mas é possível mudar esta situação. O questionário apresentado a seguir propicia identificar sinais de padrões de comportamentos repetidos.

Questionário de reputação

  1. Cite seis ‘grandes’ momentos pessoais nos últimos dozes meses (você pode consultar seu calendário, ou mesmo perguntar à pessoas não diretamente ligadas á situação para estimular sua memória).
  2. O que fez estes momentos ‘grandes’? (dê seu melhor ‘chute’. Por exemplo, foi um momento que te fez ser ‘bom’ para os outros? Beneficiou sua organização? Ou foi uma experiência de aprendizado para você?)
  3. De que modo estes momentos se assemelham uns aos outros (se é que há semelhança)?
  4. Você pode identificar a qualidade pessoal incorporada nesta semelhança? Você pode nomeá-la? Por exemplo, se você citar dois “grandes” momentos quando você saiu de seu caminho (deixou o que estava fazendo) para ajudar um colega com assessoria, você pode intitular a qualidade pessoal de ‘generosidade’ – o que alimenta uma reputação de ser ‘generoso’.
  5. Em uma escala de 1 a 10, sendo 10 muito conhecido, quão bem conhecido são estes grandes momentos para as pessoas que convivem com você na situação específica?
  6. Em uma escala de 1 a 10, sendo 10 concordam muito, quão poderiam as pessoas com quem você convive concordar com as qualidades pessoais descritas em sua resposta à pergunta 4?
  7. Cite seis momentos ‘ruins’ nos últimos doze meses.
  8. O que fez destes momentos, momentos ruins?
  9. O que eles tiveram em comum?
  10. Você pode identificar a qualidade pessoal que eles tiveram em comum? Você pode dar um nome a esta qualidade? Por exemplo, se dois momentos ruins envolvem episódios em que você perdeu seu temperamento, a qualidade pessoal poderia ser nomeada como “pavio curto”.
  11. Em uma escala de 1 a 10, sendo 10 o mais bem conhecido, quão conhecido foram este momentos ‘ruins’ para as pessoas que convivem com você na situação específica?
  12. Em uma escala de 1 a 10, sendo 10 concordam muito, quão poderiam as pessoas com quem você convive concordar com as qualidades pessoais descritas em sua resposta á pergunta 10?
  13. Quais respostas, das perguntas 4 ou 10, são mais parecidas com a sua reputação atual? Ou ambas?

Em geral, as pessoas tem a tendência impulsiva de subestimar os grandes momentos e superestimar os momentos ruins. Poucas fazem o oposto. Seja como for, o questionário propicia a oportunidade de se gastar tempo pensando em coisas que se fez e que geraram a reputação. Se formos além e solicitarmos às pessoas que convivem conosco para comentarem as nossas respostas, vamos nos espantar com a lacuna entre como nos vemos a nós mesmos e como os outros nos veem.

Como mudar a reputação?

Mas, e daí? O que fazemos com estas informações? Aí é que a coisa complica.

Como já vimos, a reputação não se desenvolve da noite para o dia. Da mesma maneira que um evento isolado não forma a reputação, uma única ação de correção também não pode alterá-la. É necessária uma sequência de ações com consistentes padrões de semelhança para começar a reconstruir o processo. É possível mudar a reputação, mas requer tino pessoal e, acima de tudo, disciplina.

As pessoas, em geral, querem resultados imediatos. Infelizmente, neste caso, as coisas não funcionam deste jeito. Do mesmo modo que uma impressão negativa foi formada durante meses ou anos, requer-se tempo para se desfazer a impressão com uma sequencia de ações congruentes com o nosso caráter. Se não há congruência, as pessoas fiam confusas. A reputação em construção fica enlameada ao ser conflitada com as evidências. Quaisquer que sejam as qualidades que as pessoas digam que temos, a chave para o sucesso é a congruência. A repetição do comportamento dá às pessoas um modo inquestionável de nos ver. É o que acontece quando somos disciplinados acerca dos nossos objetivos e congruentes nas ações. Depois de algum tempo as pessoas ficarão ‘bloqueadas’ na interpretação negativa, por meio da nossa ação intencional, e a nova reputação começa a se destacar.

Ao impactar nossa reputação, impactamos nosso Mojo. Ter uma reputação desagradável faz com que nosso Mojo demande tanta energia quanto empurrar pedregulhos ladeira acima. Teoricamente é possível, mas na prática é desafiador. Ter uma grande reputação, em uma área que nos interessa, nos propicia um Mojo mais consistente.

Precisa de apoio para lidar com a sua reputação? Teremos prazer em apoia-l@. Contate-nos!

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