Escolhas e espiritualidade

espiritualidadepor Wesley W. Cavalheiro

Segundo Albert Camus[1], o que somos hoje é o resultado de nossas escolhas e decisões feitas até o momento. O que seremos daqui há meses e anos será o resultado de nossas escolhas e decisões feitas a partir de hoje. Há quem diga que não somos integralmente livres para fazer nossas escolhas e tomar decisões; que, de alguma forma, sempre somos influenciados – e condicionados – pelo meio e por pessoas com quem interagimos; que nem tudo que nos acontece é resultado de nossas escolhas, afinal existem as fatalidades. Entretanto, invariavelmente, o que nos resta é optar sobre o que recebemos e como reagimos a isso. A escolha, portanto, direciona o resultado entre o significado que emprestamos a nós mesmos e aos eventos e a consciência de quem somos, ou seja, determina se nos aproximamos da divindade ou se nos tornamos mais bestializados.

Roberto Carlos Ramos[2] era um menino órfão que cresceu nas dependências da antiga Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (FEBEM[3]). Àquela época, ficar na FEBEM ou mesmo sair dela era significado de marginalidade. Mas, Roberto Carlos Ramos tinha um sonho: ter uma família. E isso foi muito mais do que sonho. Foi o sentido de sua vida, sua razão de viver. Para encurtar a história, Roberto Carlos quebrou o paradigma da FEBEM, fez um curso superior, tornou-se exímio contador de histórias[4] (tendo inspirado o filme “O contador de histórias[5]), adotou várias crianças e, assim, montou sua família. Essa é a prova de que nossas decisões se resultam no que fazemos.

Um dos paradigmas críticos do ser humano reside na tensão entre “fazer – ter – ser”. A grande maioria das pessoas simplesmente ‘faz’, sem se importar com o porquê. Uns poucos ‘fazem’ tendo uma finalidade, ‘para que’. Uma minoria ‘faz’ com um ‘porquê’, com um sentido, com uma causa. Aqueles que geram as condições ideais para a vivência de sua espiritualidade são os que ‘fazem’ o que ‘fazem’ em harmonia com seu ‘significado’ e ‘consciência’.

Em relação a estas condições, encontro em Jesus uma singularidade: dentro das limitações da forma humana, Ele viveu neste mundo de modo harmônico, transcendendo as suas dimensões físicas e temporais.

as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou[6]”. “nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou[7]”. “E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada[8]”. “As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito[9]”. “assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas[10]”. Estas são algumas das citações de Jesus que justificam suas ações, apresentando suas causas e propósitos, bem como a consciência que tinha do seu dia a dia. A vida não lhe levava. Ele levava a vida, Ele a conduzia. Teve oportunidades de mudar circunstâncias de modo que o temporal e efêmero lhe fossem favoráveis, mas optou pelo transcendente (Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?[11]) em função do seu significado e da sua consciência. Jesus abriu, e abre-nos, caminho para uma alternativa de vida de espiritualidade plena.

Segundo Ed René Kivitz[12], a espiritualidade [cristã] é o resultado do relacionamento pessoal com Deus, que implica a manifestação do Seu poder, amor e justiça em todas as dimensões da vida. Manifestar, no contexto geográfico e no tempo em que estamos inseridos, os aspectos da vida que alteram essa realidade que ofusca e adultera a singularidade do divino no ser humano, é uma escolha de cada indivíduo.

Considere: 1) Qual a direção que sua(s) escolha(s) te levam? 2) Quanto que suas ações do dia a dia estão alinhadas com o sentido que você dá para a vida e com a consciência que você tem com o significado de cada instante? 3) Qual a proporção entre o efêmero e o transcendente que você ‘experiencia’ no dia a dia?

Palavras de sabedoria: “a espiritualidade [cristã] é o resultado do relacionamento pessoal com Deus, que implica a manifestação do Seu poder, amor e justiça em todas as dimensões da vida.”

Sabedoria da palavra: nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou. (Bíblia, RA, João 8.28).

wesley-caricat1Viva comPara onde você está indo?paixão

Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Corporativo, com Certificação Internacional e Treinador Comportamental formado pelo Instituto de Formação de Treinadores (https://lumen4you.net/agenda/ift/). Contato: <www.Lumen4You.net/contato>

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