Carta a 1 desconectad@

desconectadoPrezad@ você,
Não é meu hábito encaminhar correspondência desta natureza. Você me procurou com o objetivo de encontrar novos rumos para sua empresa. Entretanto, desde a sessão inicial, ficou patente para ambos a influência do seu estado emocional e espiritual sobre as atividades profissionais. É natural: somos uma só pessoa e lidar isoladamente as áreas da vida é o mesmo que esquartejar-nos ainda vivos. Ademais, dada a minha própria natureza, no constrangimento da minha alma e, neste momento, na impossibilidade de me expressar pessoalmente a você, resolvi escrever.

São várias as referências de pessoas notáveis que têm reservas e, até mesmo, críticas às religiões. Penso que elas devem ter suas razões, ou no caso dos que já não mais estão no mundo dos mortais, deviam tê-las. Algumas dessas razões estão relacionadas ao seu drama pessoal.

A situação pela qual você passou – e, de certo modo, ainda passa – é uma daquelas que a razão, pelo menos a nossa, dentro da cultura que fomos gerados e estamos inseridos, não pode explicar. Shakespeare nunca foi tão atual, quanto agora, na minha opinião: “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vão filosofia” (Hamlet, Ato I, cena V). Entretanto, religiosos de plantão, proprietários de conceitos e crenças travestidas de verdade (como se A VERDADE, sendo uma pessoa: Jesus, pudesse ser expressa por conceitos e crenças), paladinos de sua própria justiça, não perdem a oportunidade de dar vazão a seus inconscientes ‘desresolvidos’. Diga-me: “quais textos bíblicos afirmam que aquele que comete suicídio vai para o inferno?” Mostre-me um só! Nem você nem ninguém conseguirá, porque simplesmente não existe! Os ensinos religiosos que professam tal afirmativa se baseiam em induções lógicas. E se a lógica cartesiana é a referência para este julgamento, por ela serão julgados: falaciosos! Seus argumentos não passam pelo mais básico crivo da lógica.

S@@ irm@ vivia entre fases de surtos psiquiátricos e de consciência. Imagino – e é o máximo que posso fazer: imaginar – o transtorno e o conflito que el@ passava. Imagino o quanto lhe era sofrido ver a família – seus pais e você – sofrerem, terem trabalho, se desgastarem… imagino o quanto lhe era dolorido pensar que pudessem estar envergonhados. Imagino sua angústia em pensar qual o futuro de filh@ cuj@ pai/mãe era ‘louc@’. Minha imaginação é tão forte que chego a senti-la. Sua solução foi retirar a própria vida levando @ filh@ junto. Foi a solução certa? Errada? Não há neste mundo de mortais quem possa afirmar categoricamente uma ou outra coisa. Foi a solução del@. Já que é fatal, a despeito da intensidade da dor, só nos resta respeitar e acatar.
Já compartilhei contigo algo sobre as crises que acometem a todo e qualquer ser humano. Também já mencionei que passei por várias delas, algumas com direito a reprise. A despeito de minhas limitações, delas tirei um aprendizado: existe o certo, o errado, e existe a vontade de Deus.

Conheço pouco de Deus. O pouco que conheço me conduz a ‘experiência-lO’ como amor e luz em suas expressões decorrentes que me sejam possíveis alcançar. Nada foge ao seu controle e todas as coisas nEle estão contidas e Ele tudo sustenta. Assim, é impensável que o ocorrido com s@@ irm@ e com a s@@ sobrinh@ o tenha sido à Sua revelia. Nosso desafio é encontrarmos Sua luz e amor em meio à tão grande dor. Imagino que o começo deste encontro é a certeza da existência deste amor e dessa luz, e que sua expressão nos livra (livrou?!) de dores ainda maiores e piores, das quais somente teremos consciência no dia em que nos re-unirmos no ‘seio de Abraão’, como disse Jesus.

Em meio a um transe, João, o apóstolo, viu “da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos” (Ap 8.1-5). Posso ver suas orações acompanhadas de lágrimas e dores em meio aquele incenso. Posso vê-lO reagir de modo majestoso, tal como relatado por João, à sua dor.

Até o acontecido, sua vida, como a de todo e qualquer mortal, era baseada em um conjunto de valores e crenças. A realidade os desmanchou como se fossem um castelo de areia que é atingido pelas ondas do mar. De um momento para outro te faltaram as referências, os fundamentos, o ‘chão’. Em suas próprias palavras, você está desconectad@, não só das pessoas que @ cercam e de tudo o que fazia parte do seu mundo, mas principalmente de si mesm@. A religião, a PNL, a terapia, o coaching, podem sugerir muitos recursos, alguns mais úteis, outros nem tanto. Mas nada nem ninguém pode lhe conceder, ensinar, ou mostrar uma coisa. Coisas como essa somente podem ser reconhecidas, encontradas, recebidas e aprendidas. O que de fato qualquer pessoa precisa é de um fundamento que não se abala e, por isso, seja capaz de nos estabilizar e conectar de modo apropriado conosco mesmos e com o mundo que nos foi dado; precisamos de uma referência que extrapole tempos, locais e suas circunstâncias; o ‘chão’ que apoia e que indica caminhos, ou melhor, o caminho: o caminho da graça!
Neste momento, posso lhe dizer poucas coisas. Coisas que me foram úteis em minhas crises, e ainda o são na sobrevivência em tempos difíceis:

  • Mantenha-se aninhad@ no coração do Pai. Fique ali quietinh@. Faça tão somente movimentos que sejam para aninhar-se mais e mais.
  • Mantenha-se famint@ e sedent@… de Deus em suas expressões de amor, graça e consolo.
  • Mantenha proximidade bem curta somente de pessoas que estejam equilibradas e centradas e que tenham conteúdo emocional e espiritual saudável a compartilhar. Com as demais, a distância suficiente para o desempenho saudável (compartilhamento do amor, graça e consolo divinos) de seus papéis sociais.
  • Mantenha-se ‘tol@’ (foolish). Muita razão e sensatez podem obscurecer o amor, a graça, e o consolo de Deus.
  • Faça sua a oração de Reinhold Niebuhr: “Concedei-nos Senhor, Serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguirmos umas das outras.”

Creia, você encontrará novos rumos para sua empresa e mais que isso, encontrará novos rumos para você. Conte comigo.
Nele,
– cujo amor, graça, e consolo encontrem abrigo em suas entranhas, nelas se aninhem, cresçam e se expandam até transbordarem de seus olhos, ouvidos, boca e poros,
– que é extremamente sensível aos puros e humildes de coração,
Wesley.
Stand by me / Estamos juntos!

wesley-caricat1Viva comPara onde você está indo?paixão
Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Corporativo, com Certificação Internacional e Treinador Comportamental formado pelo Instituto de Formação de Treinadores (https://lumen4you.net/agenda/ift/). ‘Seguir’ e contatos: <www.Lumen4You.net/contato>

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