Produtividade e espiritualidade

produtividadepor Wesley Cavalheiro*

Nove horas da noite. Foi a hora em que parei na cozinha de minha casa para comer algo e pensar em finalizar o dia. Dia este que começou às cinco e quinze da manhã. Confesso que queria dar o dia por encerrado, mas o torturante senso do dever me empurrava para algumas atividades finais: o e-mail encaminhando documentos, verificar se o depósito havia sido feito, responder ao cliente necessitado de apoio.

O dia fora abarrotado de atividades, pressão. Eu me sentia fadigado, esgotado, exausto. Concomitantemente vivenciava a sensação de vazio: eu fiz quase nada. Muita energia para pouquíssimo resultado.

Já estudei sobre administração do tempo, ensinei e treinei pessoas em administração do tempo. A questão que vivenciei naquele dia não foi exatamente de administração do tempo, mas do significado das coisas com as quais me ocupei. Já vivenciei ocasiões em que me senti muito mais cansado e exausto que naquele dia, mas a sensação era ótima, de grandeza, pois o resultado era de satisfação e plenitude, pois os resultados tinham sido ótimos.

Produtividade é comumente definida como a relação entre o resultado de uma ação e a energia empregada para sua realização. Assim, quanto menor a energia e maior o resultado, mais alta é produtividade. A recíproca é verdadeira: quanto mais energia e menor o resultado, mais pífia a produtividade.

Ao passar a observar e analisar a rotina e as atividades do dia a dia sob a ótica da produtividade, novas percepções se abrem sobre o tempo e sobre as próprias atividades nas quais estou envolvido. A questão, na verdade, não é se tenho tempo ou não, mas sim o significado que essas atividades possuem para mim, como também o gerenciamento da energia empregada nelas.

O significado que emprestamos à nossa vida e seus apêndices talvez seja o princípio elementar da espiritualidade humana. Para Viktor Frankl[1], muitas neuroses da época moderna dizem respeito não à esfera psíquica, mas à “noógena”(=espiritual). Na base da vida psíquica existe a vontade de significado, quer dizer, o desejo de ter e fazer experiências significativas. A frustração nessa área determina as neuroses noógenas. Para Frankl, a motivação básica do comportamento de um indivíduo é a busca por um sentido para a sua vida, não um sentido para a vida em termos gerais, mas um sentido pessoal para a vida de cada indivíduo, que pode ser escolhido ou mesmo criado. Para isso, é preciso responder à pergunta: “O que existe no mundo que só eu e mais ninguém pode fazer?” Esta pergunta se aplica a toda e qualquer área da nossa vida, seja pessoal, relacional, profissional, etc.

Entretanto, dou-me conta de que no dia a dia sou levado pelo piloto automático. Atividades recorrentes, que se sobrepõem, consomem energia e criam hábitos / vícios. Elas agem como distratores do que realmente possui significado para mim, do que realmente me importa. E-mails que absorvem; hiperlinks que levam a outros hiperlinks que por sua vez levam a outros e assim indefinidamente; telefone-cabresto que me alcança; monitora e me compunge a uma disponibilidade 24/7; sistemas de mensagens e redes sociais que geram interrupções neurológicas e comprometem descontroladamente a produção são alguns dos elementos inseridos na vida contemporânea que, se por um lado, são inexoráveis e propiciam benéficas facilidades, por outro, quando não controlados, se constituem em potenciais sugadores de energia em relação aos quais tenho que definir categoricamente os papéis: quem é senhor de quem?

A sociedade me impinge um parâmetro de sucesso: além de ostentar sinais de glamour, devo estar constantemente conectado e apresentar resultados que expressem valores cujo significado não vão além do não destoar da grande massa e, assim, por ela ser reconhecido e inserido. Aos destoantes e estranhos, resta o desprezo. Gerenciar a energia de modo a alcançar um nível de produtividade e vida saudáveis implica em pagar o preço da autenticidade, abrir mão de ser mais um que faz tudo igual e desenvolver uma marca e significado próprios.

Considere: 1) Quais os seus sugadores de energia? 2) Quais os eventos que te fazem sentir pleno de significado? 3) Como você pode afastar os sugadores de energia para se dedicar ao que te proporciona a realização?

Palavras de sabedoria: “Gerenciar a energia de modo a alcançar um nível de produtividade e vida saudáveis implica em pagar o preço da autenticidade, abrir mão de ser mais um que faz tudo igual, e desenvolver uma marca e significado próprios”

Sabedoria da palavra: Eis, agora, o Senhor me conservou em vida, como prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e, já agora, sou de oitenta e cinco anos.  Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora para o combate, tanto para sair a ele como para voltar. Agora, pois, dá- me este monte de que o Senhor falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o Senhor, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu. (Bíblia, RA, Josué 14:10-12)

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(*) Wesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Organizacional, com Certificação Internacional. Contatos: <www.Lumen4You.net>

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