Equipe, Grupo de Trabalho ou ajuntamento de pessoas?

equipepor Wesley Cavalheiro

Classicamente, uma Equipe é definida quando as seguintes características podem ser observadas: as pessoas envolvidas possuem alto grau de comprometimento e entusiasmo; compartilham uma mesma visão e propósito em sua atividade fim; seus esforços para o desempenho de suas tarefas extrapolam o “mínimo suficiente” e não raro superam a si mesmas; devido à sinergia, o resultado dos esforços é maior do que a soma dos esforços individuais, gerando resultados excepcionais.

Em contraponto, um Grupo de Trabalho é caracterizado quando são observadas as seguintes características: as pessoas são envolvidas no processo que as une; o esforço de cada um é o suficiente para atender aos requisitos das responsabilidades e à manutenção do “status quo”; o que une as pessoas é a responsabilidade individual e, no máximo, uma camaradagem geral a cooperação para que se alcance os resultados esperados. Entretanto, a maior das diferenças é que uma Equipe possui um líder, um Grupo de Trabalho, um chefe.

A observação do dia a dia de Equipes e Grupos de Trabalho no levam a algumas conclusões. A primeira é que não é a denominação – equipe ou grupo – que faz das pessoas uma equipe ou grupo de trabalho, mas sim a predominância das características acima listadas.

Outra conclusão é que, em princípio, pode-se pensar que ter uma equipe ao invés de um grupo de trabalho seja o melhor para uma organização. Entretanto, cada qual possui o seu lugar nos diferentes ambientes de atividade do ser humano. Montar, desenvolver e manter uma equipe requer energia – tempo e dinheiro – intencional e contínua. Dá trabalho. Montar um grupo de trabalho é mais simples e menos oneroso. Equipe ou Grupo de Trabalho? Em geral, requer-se uma equipe para atividades contínuas e grupo de trabalho para uma atividade específica com uma duração específica.

Uma terceira conclusão é que alguns órgãos trabalham com “ajuntamento de pessoas / profissionais” que não constituem grupo de trabalho tampouco equipe, mesmo tendo designações ‘glamourosas’ – Equipe de Vendas, Força de … são pessoas que funcionam isoladamente cujo único vínculo pessoal é com o chefe. As energias são dispersas e concorrem entre si. Trabalho colaborativo é uma expressão cujo significado é ignorado ou até mesmo desconhecido.

O fator determinante é o custo / benefício. As perguntas a serem respondidas são: quanto tenho perdido e quanto tenho deixado de ganhar mantendo a situação – um grupo de trabalho, uma equipe, pessoas isoladas – como está? Por quanto tempo a organização poderá se sustentar?

Ao se buscar respostas a estas perguntas, em geral se chega à outra conclusão: é condição crítica para a formação de equipes e de grupos de trabalho a competência das pessoas envolvidas. Não a competência técnica, ou a qualificação profissional, mas a competência comportamental, um combinado de inteligência emocional com a capacidade de interagir, de influenciar pessoas e de contribuir para ambientes produtivamente saudáveis. É neste ponto que muitas organizações se veem sem saída ao não contarem com elementos que proporcionem sair do círculo vicioso da estagnação. A chave pode ser encontrada em práticas ancestrais de capacitação comportamental: a tutoria, a mentoria, e o coaching. A associação de técnicas contemporâneas com estas práticas ancestrais tem produzido efeitos de grande magnitude para quem ousa se libertar da estagnação. Normalmente, a capacitação é efetuada em quatro etapas.

Na primeira, é efetuado o mapeamento da ‘maturidade funcional’ dos colaboradores e das lacunas de competências. A maturidade funcional é medida em relação ao binômio de fatores relativos ao desempenho profissional e de fatores relativos aos relacionamentos. A mensuração das respostas às seguintes perguntas constitui um indicador da maturidade funcional:

a)    Em relação ao conhecimento técnico, excede as expectativas ou fica aquém dos padrões mínimos?

b)    Em relação à continuidade das tarefas, excede as expectativas ou fica aquém dos padrões mínimos?

c)     Em relação ao discernimento, demonstra bom discernimento ou não demonstra discernimento na avaliação de circunstancias?

d)    Em relação a apoio sócio-emocional, precisa de pouco apoio ou é muito dependente deste tipo de apoio?

e)    Em relação a comportamento apoiador, procura ajudar os outros ou raramente ajuda os outros?

f)      Em relação à autonomia, trabalha por conta própria quando necessário ou é incapaz de trabalhar autonomamente?

A segunda etapa é a de elaboração de um programa de educação corporativa, visando não só o aprimoramento comportamental dos colaboradores, mas também a cultura organizacional. Este programa contém elementos para trabalhos individuais e coletivos, ajustando-se a natureza do negócio com a matriz de competências, bem como a instituição de indicadores.

A terceira e a quarta etapas são a execução e a avaliação do programa respectivamente, as quais podem ocorrer de modo simultâneo, com a adoção de ações de ajustes para a garantia dos resultados desejados.

Uma passagem da bíblia expõe que Deus menciona o seguinte sobre as pessoas que empreendiam a Torre de Babel “Eles são um só… nada poderá impedir o que planejam fazer” (Gênesis 11.6). De fato, ao longo dos anos, os fatores determinantes para grupos de pessoas tem sido a capacidade de transcenderem as fronteiras psico-emocionais que determinam a dimensão de seu sucesso, seja este qual for.

Considere: 1) tenho uma equipe, um grupo de trabalho ou um ajuntamento de pessoas? 2) quanto tenho perdido e quanto tenho deixado de ganhar mantendo esta situação? 3) tenho um programa de aprimoramento funcional?

Palavras de sabedoria: “é condição crítica para a formação de equipes e de grupos de trabalho a competência comportamental das pessoas envolvidas.”

Sabedoria da palavra: ““Eles são um só… nada poderá impedir o que planejam fazer” (Gênesis 11.6)

 

WesleyCaricCol_cViva comPara onde você está indo?paixão

Wesley W. Cavalheiro é Treinador Comportamental formado pelo Instituto de Formação de Treinadores Contato: <www.Lumen4You.net/contato>

 

 

2 comentários sobre “Equipe, Grupo de Trabalho ou ajuntamento de pessoas?

  1. Prezado Wesley,

    Excelente artigo, embora as perguntas feitas possam ser incomodas de serem respondidas, uma analise “profissional”, sem julgamento das respostas será fundamental para o desenvolvimento de cada integrante do grupo. Na hora da avaliação creio que a discrição será fator decisivo para o exito do processo.

    Obrigado por compartilhar e um grande abraco,                          Helio.

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