Eneagrama e Espiritualidade

por Tom Condon (www.thechangeworks.com)
tradução e adaptação por Wesley Cavalheiro

A literatura religiosa do mundo é cheia de instruções e técnicas para a transcendência do ego e liberação das limitações da personalidade. O objetivo de muitas dessas práticas é voltado a ajudar a despertar do sonho de transe de nossas vidas e nos abrir a dimensões além nossa personalidade e visão de mundo. Mas chegar a essas dimensões e nelas ficar são duas coisas diferentes, porque continuamos a manter nossas defesas no caminho..

Um paradoxo na busca da revelação espiritual é que ela nunca vem quando se a espera. Não pode se forçar a ter uma visão mais do que se pode apontar uma arma para uma flor e ordenar que cresça. A Graça vem espontaneamente; ela exige trabalho duro, ainda que se revele sem esforço, em seu próprio tempo e época.

Como não se pode forçar a revelação, ficamos limitados a duas abordagens genéricas: 1) nos abrir para experiências mais elevadas, através de práticas como a meditação, jejum, dança, canto, silêncio, adoração, oração; e 2) nos liberar de todos os obstáculos defensivos “inferiores” que colocamos no próprio caminho.

Muitos ensinos religiosos inadvertidamente ignoram a vontade inconsciente e os benefícios simbólicos que orientam o comportamento egóico. Recomendam uma oposição disciplinada às tendências “pecaminosas”, tanto pela dissociação quanto pelo esforço de se opor à tentação.

Mas se nos concentrarmos exclusivamente na abertura para experiências mais elevadas sem trabalhar em nossas defesas psicológicas, vamos tender a ter experiências que não são integradas ou não são sustentáveis na vida diária. Meditar, orar, jejuar, ou qualquer outra prática para nos livrarmos de nossas defesas e tendências sem uma compreensão de suas funções, tenderá a trazê-las de volta. O dilema histórico entre libertação e ficar espiritualmente elevado permanecerá desconsiderado. Quando regressamos para a vida diária, nossas questões ainda estarão nos esperando. É possível ser um praticante de reconhecimento mundial e ainda ter relações emocionalmente imaturas; alcançar estados internos equilibrados e pacíficos e ainda ser propenso à raiva na estrada.

Por outro lado, se trabalhamos exclusivamente em resolver nossas questões “inferiores” de personalidade, sem nenhum senso de qualquer coisa que vá além dela, podemos ficar presos em um paradigma psicológico, com excesso de foco na autobiografia, revivendo nossa história de uma forma que reforça as nossas defesas. Algumas pessoas fazem isso com o Eneagrama, usando a profundidade de diagnóstico do sistema para dar a si mesmos problemas e desculpas que não tinham anteriormente. Como Aldous Huxley colocou, “Onde personalidade é desenvolvida para seu próprio fim, e não a fim de que possa ser transcendida, tende a haver um aumento das barreiras de separação”.

Ao invés de visar muito baixo ou muito alto, a principal saída é “através”. Geralmente isso significa enfrentar o que preferimos evitar, fazer a paz com o nosso ego para que possamos deixá-lo ir, enquanto mantemos uma prática espiritual que aprofunda a percepção de que somos muito mais do que o nosso ego.

Uma charge mostrava uma vez dois monges budistas sentados juntos meditando. Um deles se vira para o outro e diz: “Nada acontece a seguir: é isso”. O despertar espiritual que perdura tende a ser prático em vez de dramático; algo em nós que se abre à Graça de uma forma que podemos conviver com tudo o mais. Terremotos, revelações visionárias não são comuns, mesmo para os praticantes de dedicação exclusiva.

A utilização do Eneagrama como parte integrante de uma prática espiritual propicia bons recursos de trabalho: tornar-se desperto e totalmente presente; encontrar a espiritualidade em pequenas coisas; o encontro de um sentido mais profundo da própria integridade; tornar-se mais proativo nas respostas; liberar-se das defesas psicológicas; resolução de eventos não bem resolvidos na própria história; abertura de espaço na vida para o estético, criatividade e emoção; cultivo de uma quietude interior; compaixão para com as pessoas que nos odeiam ou difamam; e render-se a um sentido mais amplo de relacionamento no qual a nossa completamente separada autoimagem se dissolve.

 

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