500 anos da Reforma Protestante: por uma nova reforma

por Wesley Cavalheiro

Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (Igreja Reformada Sempre se Reformando) #Gisbertus Voetius

Em novembro passado iniciamos o envio de uma série de textos intitulada “A Dança Divina”, baseados no livro “The Divine Dance“, de Richard Rohr. Os textos versam sobre a Trindade, ou seja, sobre a natureza de Deus. Longe de uma abordagem teórico-filosófica, apresenta a dinâmica da interação entre as três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) e como esta interação tanto resulta na criação (você, eu e todo o universo), apresenta a natureza de Deus (amor) e, portanto, da criação, bem como revela o padrão de como pode (e deveria ser) o relacionamento saudável com Deus, com a criação (incluindo outras pessoas) e conosco mesmos: um fluxo de amor entre diferentes e singulares forças que resulta em graça.

Esta abordagem tem como base um modelo de pensamento (mental, consciência) a Lei dos Três – a própria Trindade, que se contrapõe ao modelo dual (sim/não; bom/mau; bem/mal; belo/feio; sagrado/secular, direita/esquerda, conservadores/progressistas, fundamentalistas/liberais). Este modelo dual vem de tempos imemoriais (segundo a tradição judaico-cristã, desde a Queda), mas foi consolidada como estrutura mental de processar pensamentos na Grécia antiga. Desde então ele tem sido a base de uma lógica que tem moldado tanto a maioria as ciências (incluindo a teologia) quanto a maioria das relações, o que faz com que tanto o conhecimento quanto as relações sejam muito limitadas. Aliás, os saltos de evolução que vivenciamos ocorreram justamente quando as pessoas se permitiram “pensar fora da caixa”, liberando-se dos modelos mentais padronizados dominantes e permitindo-se um modelo alternativo.

Ao observar a sociedade contemporânea, percorrendo vários países e em contato com pessoas de diferentes origens, minha percepção é que o cristianismo tem se tornado cada vez menos relevante. A causa, disto, penso, é que ao longo do tempo o cristianismo foi se tornando uma instituição discriminadora e acumuladora, indo na contramão dos princípios fundantes, quais sejam, um organismo inclusivo e de fluxo livre (a prosperidade não é uma represa, mas um rio que flui abundantemente), mais reforçando as misérias humanas do que propondo uma alternativa de estilo de vida (e de ser): a imagem e semelhança do Deus Trino manifesto na encarnação em Jesus, vazio de poder, bens e prazer egóico, ou seja, a continuação da encarnação do Cristo.

Richard Halverson certa vez disse: “No início, a igreja era uma comunhão de homens e mulheres centrada no Cristo vivo. Em seguida, a igreja chegou à Grécia, onde se tornou uma filosofia. Em seguida, chegou à Roma, onde se tornou uma instituição. Em seguida, chegou à Europa, onde se tornou uma cultura. E, finalmente, chegou à América, onde se tornou uma empresa“. Do alto dos meus chinelos de plástico ouso acrescentar “chegou ao Brasil e se tornou um evento”.

A prova disto é óbvia. No Brasil, observações apontam:

– em determinada época, um dos municípios com maior índice de cristãos era, ao mesmo tempo, o município com maior índice de violência;

– em outra época, um dos municípios com maior quantidade de igrejas cristãs, era (e ainda é), um dos municípios com maior índice de violência.

– no Brasil, enquanto cresce a quantidade de cristãos professadamente praticantes, a situação do país, seja social ou economicamente, passando pelos aspectos de educação, segurança, política, sustentabilidade, dentro tantos outros, piora.

Em 2017 celebra-se os 500 anos da Reforma Protestante. Há alguns dias a jornalista Míriam Leitão publicou um artigo intitulado “Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo”. Nele a autora descreve como uma iniciativa de debate, associada a outros dois elementos (a invenção da imprensa e a Igreja Católica Romana) mudou o curso da história. Ou seja, a confluência de três forças (Trindade – Lei dos Três) gerou um quarto elemento em uma nova dimensão que abalou o mundo…

Talvez, nos 500 anos da Reforma Protestante, seja mais do que nunca necessário pensar-se em uma nova reforma. Agora, talvez não uma reforma de doutrinas ou teologia: mas de mentes e corações. Não do que pensar e fazer, mas de como pensar e ser – um pensar trinitário, interagindo mente, sentimentos e corpo; ou, em outra linguagem, corpo, alma e espírito (Santo?), resultando em vida cheia de graça.

A partir de 22 JAN 2017 iniciaremos uma nova série de textos intitulada “Não Dualidade” que explorará esta maneira alternativa de ver a realidade (e de pensar) que Jesus expressou integralmente. Longe do que possa parecer, não se trata da apologia da religião cristã. Uma das minhas referências, Richard Rohr, diz que “se uma coisa é verdade, ela é verdade em todo lugar”. A não dualidade, o modelo trinitário, por ser universal, é aplicável, como já mencionamos, a todos os campos em que o ser humano atua e interage. O foco não é religioso e tod@ aquel@ que tiver ‘boa vontade’ terá bom proveito, independente das convicções religiosas.

Você é convidado a considerar trinitariamente… sua vida pessoal, suas relações, seu trabalho, o sistema educacional, o sistema de segurança, a justiça, a política, a justiça social, o direito, a economia, o comércio… permita-se ‘experienciar’ um estilo de vida, aqui e agora, em uma nova dimensão!

Os textos conterão conceitos e também exercícios práticos.

Para receber os textos gratuitamente, inscreva-se em cadastro.enealumen.net

Após esta série, planejamos elaborar outras séries que apresentarão alguns dos fundamentos do cristianismo sob a ótica não-dual, ou seja, trinitária.

Conhece alguém que possa estar interessado: incentive a se cadastrar.

Faça parte de uma nova Reforma!

Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (Igreja Reformada Sempre se Reformando) #Gisbertus Voetius

Viva comPara onde você está indo?paixão

WesleyCaricCol_cWesley W. Cavalheiro é Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e Corporativo, com Certificações Internacionais, Treinador Comportamental e Profissional Certificado em Eneagrama pela International Enneagram Association. Contatos <contato@EneaLumen.net>

 

 

 

 

 

 

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